Mitos sobre a Avaliação de Calor
Por Gustavo Rezende de Souza
Engenheiro de Segurança do Trabalho, Higienista Ocupacional certificado pela ABHO, professor na USP e consultor técnico.
Introdução
A avaliação da exposição ao calor é um processo técnico essencial para garantir a saúde e segurança do trabalhador. Entretanto, muitas vezes existem mitos e informações equivocadas que podem comprometer a qualidade dessa análise. Neste artigo, desmistificamos os principais mitos sobre a avaliação de calor, ajudando profissionais e empresas a entenderem melhor as práticas corretas para medições precisas e confiáveis.
Índice
- 1. Tempo de estabilização do conjunto de termômetros
- 2. Água da torneira funciona igual à água destilada?
- 3. Altura correta para medição
- 4. Uso de globo amassado
- 5. Cordão amarelado ainda funciona?
- 6. Medição contínua de 60 minutos
1. Tempo de estabilização do conjunto de termômetros
O tempo exato de 25 minutos não é uma regra rígida. O que determina a estabilização é a variação minuto a minuto dos termômetros, que não deve ultrapassar 0,4 ºC. Essa estabilização pode ocorrer antes ou depois dos 25 minutos, especialmente em ambientes externos, onde as condições são mais variáveis.
2. Água da torneira funciona igual à água destilada?
Não. A composição mineral da água varia por região, e sais dissolvidos podem alterar a tensão superficial e a taxa de evaporação do bulbo úmido, afetando a precisão da medição. Além disso, a água da torneira com altos sais pode prejudicar o sensor do termômetro de bulbo úmido.
3. Altura correta para medição
A medição deve representar a parte do corpo mais exposta ao calor ou, na ausência dessa, a altura do tórax do trabalhador. Em ambientes com fontes radiantes baixas, a diferença na medição entre 1,0m e 1,7m pode ser de até 3ºC no IBUTG interno, o que impacta diretamente na avaliação.
4. Uso de globo amassado
Jamais use um globo amassado. O globo precisa ser uma esfera perfeita para garantir absorção uniforme da radiação. Qualquer deformação altera o coeficiente de absorção e pode comprometer a precisão da medição.
5. Cordão amarelado ainda funciona?
Não. O pavio amarelado indica contaminação ou degradação, o que altera a absorção e evaporação da água. Isso interfere diretamente na confiabilidade do resultado, já que o TBN tem peso significativo no cálculo do IBUTG.
6. Medição contínua de 60 minutos
Não é necessário medir 60 minutos seguidos numa única situação térmica. O que importa é o IBUTG médio em 60 minutos, considerando diferentes situações térmicas que podem ocorrer durante o período. Devem ser feitas no mínimo 5 leituras por situação, respeitando a variação máxima de 0,4 ºC entre elas.
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